
Existem duas principais denominações para
os barcos: monocascos e multicascos. Monocasco é
aquele barco que possui apenas um casco. Já os
multicascos possuem dois ou mais cascos. Dentro da categoria
"multicascos", o principal e mais forte expoente,
sem dúvida, é o catamarã (barco
com 2 cascos), pois possui características únicas
que facilitam a vida de qualquer marujo.
A palavra "catamarã"
deriva-se da palavra Katu Maran da língua
Tamil, e quer dizer "Canoas paralelas".

MULTICASCOS
X MONOCASCOS
segurança
• Por terem mais
boca (espaço da extremidade de um casco à
extremidade do outro) do que os veleiros convencionais,
os catamarãs são mais estáveis e,
conseqüentemente, balançam muito menos em
alto mar, o que gera como conseqüência direta
menos enjôo;
.
• Os catamarãs inclinan-se,
de maneira geral, no máximo apenas 10 graus (os
monocascos chegam a inclinar-se até 45 graus).
Isso faz a navegação nos catamarãs
ser bem menos cansativa, pois toda a movimentação
dá-se no nível normal ao qual o ser humano
está acostumado a viver; passar dias inteiros num
barco adernado não é das coisas mais agradáveis;
• Lutar contra a gravidade e o enjôo provoca
fadiga. Fadiga é a principal causa dos erros e
falhas que acontecem navegando, podendo acarretar conseqüências
graves;
• Ainda
como conseqüência de menos balanço,
menos caturro e menos inclinação lateral,
a possibilidade de "Homem ao mar" cai drasticamente.
Vale lembrar que a maior parte dos acidentes fatais em
alto mar é conseqüência de pessoas que
caem do barco em movimento;
• Desta
forma, a maioria dos catamarãs são também
mais seguros e confiáveis, reduzindo praticamente
a zero a possibilidade de virar o barco (mesmo que, em
hipótese, o catamarã vire, há a possibilidade
de construí-lo com "flutuabilidade possitiva",
garantindo que, mesmo cheio de água, o catamarã
não afunde, pois compartimentos estanques cheios
de ar e a espuma usada em sua construção
fazem a flutuabilidade do veleiro);
Muito interessante o que aconteceu recentemente com o
acidente do multicasco Groupama.
No meio do oceano, o barco sofreu uma quebra estrutural
grave - mas continuou flutuando com a tripulação
salva, conversando com a equipe em terra, informando o
acontecido e solicitando o salvamento. Para atenuar ainda
mais a situação, os multicascos feitos para
grandes travessias possuem uma escotilha de escape no
fundo de um casco para evacuação quando
necessário e o fogão, baterias, eletrônicos
e leitos são projetados para funcionarem mesmo
de cabeça para baixo. As vantagens dos multicascos
sobre os monocascos ficam mais claras ainda depois de
acidentes como esse. A tripulação continuou
tendo acesso ao interior / exterior do barco e pôde
ficar esperando o resgate no interior do barco, abrigada,
aquecida, alimentada e com os equipamente de comunicação
funcionando. Um monocasco certamente iria parar no fundo
do mar e sua tripulação, tendo sorte, ficaria
num salva vidas minúsculo, molhada, com frio, sem
equipamentos eletrônicos, cozinha ou qualquer mantimento,
rezando para que as equipes de resgate os avistem no meio
do oceano.
conforto
• Mais boca possibilita mais espaço livre
e, como conseqüência, mais privacidade;
• Na maioria
das monocascos há apenas uma cabine; o CatriCAT
33 tem duas cabines em cada um dos dois cascos e mais
uma no deck central - ao todo, acomoda até 12 pessoas.
O cockpit do CatriCAT 33 equivale ao de um monocasco de
45 pés;
• De dentro
da cabine central do CatriCAT 33, cheia de grandes janelas,
a visão da paisagem de 360 graus nem se compara
à visão que se tem do interior de um monocasco.
Dá pra apreciar a a paisagem e deixar o interior
do catamarã arejado sempre, seja na hora do almoço,
quando se está lendo ou na rede;
navegabilidade
• Dois
cascos fizeram os catamarãs abolirem aquelas quilhas
enormes e pesadas - o que é insubstituível
nos monocascos. Com isso, o calado de um catamarã
pode chegar a ser 5 vezes
menor do que o de um monocascos comum. 0,41m de água
abaixo dos cascos são suficientes para que o CatriCAT
33 navegue. Não há algo mais frustrante
do que não poder visitar determinado local por
ter calado demais no barco. Pouco calado é condição
fundamental para ter mais acesso a lugares fantásticos.
Além disso, é muito mais prático
e divertido "estacionar" o catamarã diretamente
na areia da praia, sem precisar sequer molhar os pés
para descer do veleiro. Num monocasco, ao contrário,
é necessário parar longe da praia e, de
algum jeito, descer até lá;
• Não
ter quilha é possuir um barco mais leve. Isso faz
qualquer barco navegar mais rápido, permitindo
que o velejador percorra distâncias maiores durante
o mesmo período de tempo. Além, claro, da
sensação agradável de conseguir uma
boa velocidade sobre o mar;
• Na hora
de ancorar, mesmo num porto lotado, possuir um catamarã
permite escolher um local mais raso, inaccessível
aos monocascos, ou até mesmo um local que na maré
seca o barco fique encalhado, e passar a noite. Um monocasco
quando encalha, com a descida da maré, inclina-se
deixando todos os tripulantes desconfortáveis;
os catamarãs, pelo contrário, mesmo encalhados,
permanecem nivelados. Nos locais mais rasos o barco balança
menos à noite, pois há menos circulação
de barcos e menos ondas;
E
por que, afinal de contas, depois de todos essas vantagens
sobre os monocascos, os multicascos ainda são minoria?
Multicascos de qualidade ainda são coisa nova no
mercado. Os velejadores estão começando
a se acostumar com este novo tipo de embacação
moderna e arrojada. Os meios de comunicação
especializados no segmento náutico já apontam
as vantagens dos multicascos e as pessoas, aos poucos,
estão percebendo à luz da razão as
inúmeras vantagens.
